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Jornais de imigrantes alemães, agora on-line     

 

Biblioteca Digital da UNESP disponibiliza gratuitamente edições de três periódicos alemães do acervo do Instituto Martius-Staden:

 

http://bibdig.biblioteca.unesp.br/handle/10/8047

 

 

             

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Germania, Deutsche Zeitung e Deutscher Morgen: três jornais em língua alemã publicados em São Paulo                                                                                             

 

Com o constante crescimento da colônia alemã em São Paulo, surgiu a necessidade de um jornal próprio. Assim, foi fundado por Otto Stieher, em abril de 1878, o jornal Germania, o primeiro em língua alemã em São Paulo. É o segundo jornal editado em São Paulo em idioma estrangeiro (o primeiro foi em italiano). No começo, o jornal foi publicado irregularmente, mais tarde vindo a sê-lo duas vezes por semana (SOMMER, p. 370-375). O editor-chefe mais famoso do jornal foi Alberto Kuhlmann (1845-1905), engenheiro e responsável pela construção da linha de bondes, com sistema de tração animal, que ligava São Paulo à Vila de Santo Amaro. Também foi o responsável pela construção do Matadouro Municipal, na Vila Clementino, inaugurado em 1887, que atualmente abriga a Cinemateca Brasileira (ROTHFUSS, p. 31). O acervo do Instituto Martius-Staden possui o jornal Germania: Deutsche Zeitung für Brasilien [Germania: Jornal alemão para o Brasil] desde seu terceiro ano de publicação, 01/01/1880 até 1922. Por ser o primeiro jornal em língua alemã, teve grande importância representando a comunidade, cultura e economia alemã em São Paulo no final do século XIX e começo do século XX (SOMMER, p. 387).

 

Os jornais em língua alemã no Brasil refletiam o ambiente político em curso na Alemanha. Eram fiéis à monarquia e ao Estado alemão-nacionalista. Essa era a base do Germania. Porém, com o tempo, o jornal se tornou cada vez mais liberal. A colônia alemã paulistana reagiu a esse posicionamento e muitos leitores se afastaram do Germania. Em 1896, quando Willy Epstein redigiu um artigo polêmico sobre o aniversário do Imperador, grande parte dos leitores abandonaram o jornal. Em consequência, foi fundado o Deutsche Zeitung [jornal alemão], em 12 de junho de 1897 por Dr. Johann Paul Lehfeld e Carlos Jepp, publicado semanalmente. A partir de 1906, com Rudolf Troppmair à frente, o jornal tornou-se diário, ampliou o espaço destinado à publicidade e tornou-se o veículo mais importante da população de língua alemã de São Paulo. O Germania, em sérias dificuldades financeiras, acabou fechando e foi comprado pelo Deutsche Zeitung em 1923, esse último existente até hoje (GEHSE, p. 69-70). O jornal Deutsche Zeitung encontra-se integralmente no acervo do Instituto Martius-Staden, tendo sido digitalizado até os exemplares de 1919.

 

Com o ingresso do Brasil na Primeira Guerra Mundial em 1917, veio a proibição de impressos em alemão. Em 1919/1920, o Deutsche Zeitung e o Germania voltaram a ser publicados novamente em alemão.

 

A partir de 16 de março de 1932, foi lançado em São Paulo, semanalmente, o jornal Deutscher Morgen: Aurora Allemã: Wochenblatt der NSDAP für Brasilien [Aurora Allemã: jornal semanal do partido nazista NSDAP para o Brasil], que circulou até 1941. O editor-chefe foi Hans Hennig von Cossel, líder da célula do partido nazista no Brasil.

 

“O jornal Deutscher Morgen (Aurora Alemã) constitui [...] um valioso testemunho da divulgação do nazismo no exterior. Através das páginas desse periódico, torna-se possível vislumbrar as idéias difundidas pelos defensores do nacional-socialismo em São Paulo, analisar teorias e práticas adotadas pelos partidários do Reich, além de identificar as firmas e empresas patrocinadoras desse jornal, dada a variedade de anúncios presentes em suas edições.” (DIETRICH, p. 289)

 

Os três jornais são ricas fontes históricas para pesquisadores e interessados da história da presença alemã na cidade de São Paulo.

 

Daniela Rothfuss, 2014.